Buscando melhorar as possibilidades de tratamento para pacientes com a Doença de Parkinson, o neurocirurgião são-roquense Fábio Godinho vem desenvolvendo pesquisas sobre o mecanismo da dor. Segundo ele, dentro de um ano já será possível ter as primeiras conclusões, mas o resultado final da pesquisa deve ser divulgado daqui há, aproximadamente, dois anos.
“A ideia é estudar melhor como funciona o cérebro diante de uma condição dolorosa em pacientes de Parkinson. A dor costuma ser frequente e nós não temos muitos meios de tratá- la”, conta Fábio, que desenvolveu o mestrado e o doutorado também sobre o tema, com uma equipe francesa.
O projeto será realizado em duas fases. A primeira terá por objetivo tentar compreender as respostas cerebrais dos pacientes em relação à dor. A segunda fase será entender a estrutura do núcleo subtalâmico e sua participação do processamento cerebral da dor. É este mesmo núcleo que é alvo na cirurgia da Doença de Parkinson. O início da implementação do projeto está previsto para o próximo mês.
Segundo o médico, há controle significativo de sintomas motores (tremores, rigidez e lentidão de movimentos) nos portadores de Parkinson com a cirurgia. Mas sintomas como a dor são difíceis de tratar, pois eles não conhecem a razão dessa reação.
“A pesquisa tem como objetivo trazer esse conhecimento, entender como o cérebro funciona diante da dor nesses pacientes e a partir do momento q souber disso, poderemos propor outros tratamentos, trazendo qualidade de vida aos portadores da Doença de Parkinson", explica Fábio.
Entenda a Doença de Parkinson
É uma doença degenerativa, caracterizada pelo aparecimento de sintomas motores, como tremores, rigidez e lentidão de movimentos; e sintomas não motores, como dor, distúrbio do sono, transtorno do humor, alterações gastrointestinais, entre outros. É um distúrbio genético, que predispõe a esta doença, assim como fatores ambientais, como exposição a pesticida e alguns componentes tóxicos.
Segundo Fábio Godinho, no Brasil, cerca de 3% da população acima de 65 anos é portadora dessa doença, que costuma aparecer em pessoas acima de 50 anos. Não há meios de prevenção, mas quanto mais rápido iniciar o tratamento, melhor as condições de qualidade de vida do paciente.
De acordo com o Fábio Godinho, uma pesquisa recente revelada no Congresso Mundial de Dor deste ano, realizado na semana passada em Dublin, na Irlanda, o paciente deve ser operado no início da doença, associada a medicamento. Contrariando o, até então, procedimento médico usual, que era primeiramente tentar tratamento através de remédios e só operar pacientes em estado avançado da Doença de Parkinson.
Texto originalmente publicado no Jornal da Economia (São Roque, 2012).