O diretor teatral Humberto Gomes participou, no último final de semana, do Festival de Teatro de Curitiba com os musicais "Memórias de Garagem" e "Entre Tantas Coisas". Além de dirigir, Humberto também escreveu os textos. Uma das peças trata de situações vividas na época em que ele morava em São Roque.

Humberto conta que, para criação das peças, utilizou muitos fatos ocorridos na sua adolescência e de seus amigos. "A ideia do Entre Tantas Coisas, por exemplo, nasceu de um conto que escrevi após uma conversa com três amigas numa pista de skate em São Roque, em uma das férias que coincidiu de nos reencontrarmos com a peça Memórias de Garagem a minha preocupação era não usar nenhuma referência como celular, computador ou mídia eletrônica e sim focar no desenvolvimento e formação de caráter do jovem. Eu me diverti mais durante o período da estruturação dramatúrgica, mas mexer na ferida da fase da adolescência foi delicado. O bacana é que eu estava trabalhando com adolescentes e explicar determinadas coisas para eles me fez entender muitas outras. Foi uma revisita e um re-encontro comigo mesmo", afirma.

O texto de Memórias de Garagem participou da VIII Mostra de Dramaturgia de Sorocaba, na Oficina Cultural Grande Otelo, em outubro de 2011.

Humberto Gomes teve grande importância no núcleo teatral são-roquense nos anos 90 e começo dos anos 2000. Ele relata que tem boas lembranças da fase em que foi coordenador do Núcleo de Teatro do Centro Cultural Brasital e realizou diversas montagens na cidade. "Um dia fui receber um cache, da peça de um amigo meu de São Paulo e encontrei a Silvia Mello, que era a chefe da Divisão de Cultura na época, e assim, por acaso, acabamos conversando e afinando idéias. Em um mês o núcleo contava com quase 80 alunos. Foram momentos muito importantes para mim e para muitos artistas locais. Fico muito feliz em saber que muita gente é atuante nas artes cênicas até hoje. Como diz um dos personagens do Memórias de Garagem "existem lugares e pessoas que eu posso nunca mais ver, mas sempre vou lembrar", relembra.

Além de diretor, Humberto é ator, produtor e dramaturgo. Formado em Teatro pela Escola Macunaíma em São Paulo e graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Sorocaba (Uniso). Morador de Curitiba há oito anos, atualmente é responsável pela assessoria artístico-pedagógica e ministra aulas de interpretação dos cursos de formação e oficinas da Cena Hum - Academia de Artes Cênica.

Musicais

Não é a primeira vez que Humberto Gomes decide fazer musicais. Segundo o diretor, desde 2006 percebeu que muitas de suas peças eram musicalizadas. "Foi aí que investi na dramaturgia de "A Fábula do Vento do Sul", onde todas as músicas da peça são compostas por mim. A experiência com essa peça, que era de rua, foi instigante. Desde então comecei a pensar como seria realizar um musical urbano, que tivesse uma identificação e ainda levasse o público à reflexão", explica. Com essa peça recebeu Troféu Gralha Azul, tradicional premiação teatral de Curitiba, nas categorias Revelação em Caracterização e Melhor Direção de Espetáculos para Criança. Além de indicação para Melhor Texto Original, Revelação em Figurino e Revelação de Adereços,

O gênero musical tem crescido no Brasil. Para Humberto, esse crescimento deve-se pela necessidade de realizar grandes montagens com assinatura nacional, embora a maioria dos musicais que estão em cartaz sejam reproduções da Broadway. "É muito bacana abrir possibilidades para os bailarinos, cantores, músicos e ver nossos atores "pratas da casa" representando personagens tão marcantes".

Quando o assunto é capacitação do ator para musicais, ele afirma que falta foco nesse gênero teatral. "Ainda não temos muito foco em formação para musicais, mas sou a favor de, independente disso, o ator deve ser completo e se aprofundar no conhecimento do corpo e da voz", aconselha.

Texto originalmente publicado no Jornal da Economia (São Roque, 2012).

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